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3/4 de Mim

3/4 de Mim

Do Prazer de Ler: " A verdade sobre o caso de Harry Quebert"

IMG-20170617-WA0009 (1).jpegQuando comecei a ler A verdade sobre o caso de Harry Quebert do escritor Joel Dicker não tive vontade de parar durante horas.

 

Fiquei presa à escrita e ao mistério do desaparecimento e morte de Nola. A história é narrada por Marcus Goldman, um célebre escritor, que numa fase de bloqueio criativo se vai refugiar na casa do seu mentor e amigo, Harry Quebert.

 

Este romance com traços de policial é um livro dentro de um livro, que fala sobre outro livro. É uma história construída em camadas que nos prende aos pormenores e às imensas reviravoltas. 

 

Não vou falar sobre as reviravoltas que tornam o enredo de A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert tão dinâmico, pois iria estragar esta incrível experiência de leitura, mas não posso deixar de comentar a sagacidade de Dicker, ao introduzir no inicio de cada capítulo uma “regra” que funciona como uma dica de como escrever um livro.

 

Intensidade é a palavra que melhor define o livro e é sem dúvida uma excelente experiência de leitura. 

 

Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter acabado de ler

O menino de Cabul, Khaled Hosseini

 

o menino de cabul.JPG

 

Khaled Hosseini escreve de uma forma arrebatadora e dilacerante. Tem o dom de provocar as nossas maiores emoções e esta é uma história que não irei esquecer facilmente, porque nos fala de amizade, lealdade, culpa, amor, perdão, segundas oportunidades, arrependimento e redenção.

Mostra o contraste e a fragilidade da civilização humana que através de convicções politicas e religiosas impedem a dignidade e liberdade humana de poder voar mais alto. É uma história angustiante e poderosa. 

 

Senti-me a ser educada enquanto ser humano e fez-me viajar por uma cultura tão distinta da nossa, e tive o privilégio de conhecer o Afeganistão de antes, de como era e de como passou a ser depois da conquista Talibã.

 

Apetece-me contar todos os pormenores desta incrível história mas não posso porque o que eu gostava mesmo era de vos convencer a ler este livro intenso, por isso vou falar apenas um pouquinho para aguçar a curiosidade:

 

Amir e Hassan cresceram juntos, apesar das diferenças sociais que os separavam. Amir era de boas famílias e Hassan de uma etnia afegã diferente (Mongois) o que não lhes permitia aprender a ler e a escrever, já que eram considerados inferiores na comunidade.

A amizade era tão forte que Hassan era capaz de dar a vida pelo amigo. Mas eles eram pessoas muito diferentes. 

Hassan era leal e corajoso e Amir cobarde e fraco e tudo o que mais queria era ganhar a competição de papagaios de papel que acontecia em Cabul todos os anos, apenas para impressionar o pai.

O lançamento de papagaios era algo de muito importante para todos os habitantes que viam os céus de Cabul encher-se de cor e animação.

 

Mas num desses concursos de papagaios tudo muda, e as vidas dos dois muda drasticamente, porque quando Hassan mais precisou de Amir esse foi cobarde e virou-lhe as costas sendo o primeiro acto de traição dele. A partir desse dia Amir começou a carregar a culpa dos seus actos pelo resto da sua vida.

 

O fantástico enredo e testemunho histórico tem no voo do papagaio a alegoria à liberdade. Liberdade que não foi duradoura e que transformou o Afeganistão num país dominado pela guerra.

 

Da mesma forma que esta amizade foi destruída também a normalidade do Afeganistão foi afectada pela desumanidade da guerra. 

 

"A vida é um comboio... Não o percas". Este livro fala-nos de como uma acção pode condicionar a nossa vida e a dos outros e que "Quando contamos uma mentira, roubamos a alguém o direito da verdade".

 

É um romance poderoso, que nos demonstra o verdadeiro sentido da amizade e sacrifício, em que as personagens se definem pelas suas acções.
 
 
Leiam e emocionem-se!